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domingo, 26 de setembro de 2010

grandes momentos da filosofia

Kant (falando de sexo e casamento)

"Do direito

Da Sociedade Familiar

Primeiro Título:

O Direito Matrimonial

24.

Relação sexual (commercium sexuale) é o uso recíproco que uma pessoa faz dos órgãos e da faculdade sexual de outra (usus membrorum et facultatem sexualium alterius), e que pode ser natural (por meio do qual é possível dar origem a um ser semelhante), ou inatural, sendo este último efetuado com uma pessoa do mesmo sexo ou com um animal de outra espécie que não a humana [pra ele, é a mesma coisa]; tais transgressões das leis, vícios inaturais (crimina carnis contra naturam), que também recebem denominações impronunciáveis [!!], como lesão da humanidade em nossa própria pessoa, não podem ser salvos por nenhuma restrição ou exceções contra o repúdio absoluto.

A relação sexual natural ou ocorre conforme a natureza animal (vago libido, venus volgivaga, fornicatio), ou conforme a lei. – Esta última constitui o casamento (matrimonium), ou seja, a união de duas pessoas de sexos diferentes para a posse recíproca de suas propriedades sexuais. – O objetivo de gerar filhos e criá-los pode continuar sendo um objetivo da natureza, para o qual esta implantou a afeição dos sexos entre si; porém, para que a união seja legitimada, não é exigido de quem se casa ter tal propósito por obrigação [bom, pelo menos isso, né?], pois, caso a procriação cessasse, o matrimônio se dissolveria automaticamente.

De fato, mesmo sob o pressuposto do prazer uso recíproco de suas qualidade sexuais, o contrato do casamento não é um contrato qualquer, mas necessário pela lei dos homens, ou seja, quando homem e mulher querem desfrutar reciprocamente de suas propriedades sexuais, precisam necessariamente se casar, e isto é necessário segundo leis jurídicas da razão pura. [uau!]

[(continua]

KÖHLER, Peter. O Direito pelo Avesso: uma antologia jurídica alternativa. Tradução de Glória Paschoal de Camargo. SP: Martins Fontes, 2001, p.50s.)

grandes momentos da política brasileira

os rorizes

explicação do capitalismo

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

teses groucho-marxistas

"I
O groucho-marxismo, teoria da revolução pela comédia, é muito mais do que um esquema para a luta de crassos: como uma luz vermelha na janela, ilumina o destino inevitável da humanidade, a sociedade déclassé. O g-marxismo é a teoria do deleite permanente.
II
O exemplo dos próprios Irmãos Marx demonstra a unidade da teoria e da prática marxistas (por exemplo, quando Groucho insulta o burguês enquanto Harpo bate a carteira do sujeito). Além disso, o marxismo é dialético (Chico não é o comediante dialético clássico?). Comediantes que não conseguem sintetizar teoria e prática (isso sem falar nos que não conseguem pecar) são não-marxistas. Comediantes subsequentes, não conseguindo entender que a separação é ‘o discreto charme da burguesia’, recaíram em meras cambalhotas, por um lado, e mera tagarelice, por outro.
III
Como o g-marxismo é prático, suas ações jamais podem ser reduzidos a mero humor, espetáculo, ou até a ‘arte’ (os estetas, afinal, estão menos interessados na apreciação da arte do que em arte que sofre apreciação). Depois que um verdadeiro marxista vê um filme dos Irmãos Marx, ele diz a si mesmo: ‘Se achou isso engraçado, dê uma olhada na sua vida!’
IV
Os g-marxistas contemporâneos devem denunciar resolutamente o ‘marxismo’ imitativo e vulgar dos Três Patetas, do Monty Python e do Pernalonga. Em vez de retornar ao marxismo vulgar, devemos retornar à autêntica vulgaridade marxista. Um corretivo retal também cairia bem naqueles camaradas iludidos que acham que ‘a linha correta’ é aquela em que são obrigados a andar quando a polícia para o carro deles numa blitz.
V
Marxistas com consciência de classe (ou seja, marxistas que têm consciência de que não têm classe) devem desprezar a comédia ‘anêmica’, moderninha e narcisista de revisionistas do humor como Woody Allen e Jules Feiffer. A revolução pela comédia já superou a simples neurose – é lúdica sem ser ridícula, discriminante sem ser discriminatória, militante sem ser militar, aventurosa sem ser aventureira. Os marxistas percebem que, hoje em dia, você precisa se olhar num espelho de parque de diversões para se ver como realmente é.
VI
Embora não lhe faltem alguns toques de vislumbre marxista, o (sur)realismo socialista deve ser diferenciado do g-marxismo. É verdade que Salvador Dalí, uma vez, deu a Harpo uma harpa feita de arame farpado; no entanto, não existe nenhuma evidência de que Harpo a tenha tocado.
VII
Acima de tudo, é essencial renunciar e denunciar todo sectarismo humorístico como aquele dos eqüinos trots. Como bem se sabe, Groucho repetidamente propunha o sexo, mas se opunha a seitas. Além disso, o slogan trot ‘Salário para Animais de Carga’ cheira a reforma, não a deleite. Os esforços dos trots para reivindicar ‘Um Dia nas Corridas’ e ‘Horsefeathers’ para sua tendência devem ser rejeitados com indignação; na verdade, ‘A Mocidade É Assim Mesmo’ faz mais o estilo deles.
O assunto mais polêmico para os g-marxistas, hoje, éa questão do partido, que – diferetemente do que pensam ‘marxistas’ ingênuos e reducionaistas – é mais do que apenas: ‘Por que não fui convidado?’ Isso nunca impediu Groucho! Os marxistas precisam do seu próprio partido de vanguarda disciplinado, já que raramente são bem-vindos nas festas dos outros
[NT: ‘trot’ significa ‘trotar’, como um cavalo, e também é um diminutivo de ‘trotskista’; nesse parágrafo há vários trocadilhos intraduzíveis com a palavra ‘party’, que em inglês significa tanto ‘partido’ como ‘festa’]
VIII
Guiadas pelos líderes-dogmas marxistas do misbehaviorismo e do materialismo histérico, as massas vão inevitavelmente abraçar não apenas o g-marxismo, mas também umas às outras.
IX
O groucho-marxismo é a tour de force da comédia. Como Harpo, segundo fontes confiáveis, teria dito:
“ ”
Em outras palavras, ou a comédia é tresloucada, ou não é nada! Tanto a se fazer, tanta gente em quem fazê-lo! Ordinário, Marx!
ENTEDIADO DE NOVO? Por que não sacudir sua jaula? Proponho um diálogo dos revoltados, uma conspiração dos iguais, uma política do prazer. O nosso é o poder anômico do pensamento negativo e da risada corrosiva. Os indisciplinados, em meio aos pacientes de hospício, só têm a si próprios e, possivelmente, uns aos outros. Vamos nos reunir. A escolha é sedição ou sedação. Para qualquer número de jogadores. (1979)”

(BLACK, Bob. Groucho-Marxismo. Tradução de Michele de Aguiar Vartulli. São Paulo: Conrad Editora do Brasil, 2006, pp.9-12)

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

luis fernando verissimo

"Incidente na casa do ferreiro

"Pela janela, vê-se uma floresta com macacos. Cada um no seu galho. Dois ou três olham o rabo do vizinho mas a maioria cuida do seu. Há também um estranho moinho, movido por águas passadas. Pelo mato, aparentemente perdido – não tem cachorro – passa Maomé a caminho da montanha, para evitar um terremoto. Dentro da casa, o filho do enforcado e o ferreiro tomam chá.
Ferreiro – Nem só de pão vive o homem.
Filho do enforcado – Comigo é pão, pão, queijo, queijo.
Ferreiro – Um sanduíche! Você está com a faca e o queijo na mão. Cuidado.
Filho do enforcado – Por quê?
Ferreiro – É uma faca de dois gumes.
(Entra o cego.)
Cego – Eu não quero ver! Eu não quero ver!
Ferreiro – Tirem esse cego daqui!
(Entra o guarda com o mentiroso.)
Guarda (ofegante) – Peguei o mentiroso, mas o coxo fugiu.
Cego – Eu não quero ver!
(Entra o vendedor de pombas com uma na mão e duas voando.)
Filho do enforcado (interessado) – Quanto cada pomba?
Vendedor de pombas – Esta na mão é 50. As duas voando eu faço por 60 o par.
Cego (caminhando na direção do vendedor de pombas) – Não me mostra que eu não quero ver,
(O cego se choca com o vendedor de pombas, que larga a pomba que tinha na mão. Agora são três pombas voando sobre o telhado de vidro da casa.)
Ferreiro – Este cego está cada vez pior!
Guarda – Eu vou atrás do coxo. Cuidem do mentiroso por mim. Amarrem com uma corda.
Filho do enforcado (com raiva) – Na minha casa você não diria isso!
(O guarda fica confuso mas resolve não responder. Sai pela porta e volta em seguida.)
Guarda (para o ferreiro) – Tem um pobre aí fora que quer falar com você. Algo sobre uma esmola muito grande. Parece desconfiado.
Ferreiro – É a história. Quem dá aos pobres empresta a Deus, mas acho que exagerei.
(Entra o pobre.)
Pobre (para o ferreiro) – Olha aqui, doutor. Essa esmola que o senhor me deu. O que o senhor está querendo? Não sei não. Dá para desconfiar...
Ferreiro – Está bem. Deixa a esmola e pega uma pomba.
Cego – Eu nem quero ver...
(Entra o mercador.)
Ferreiro (para o mercador) – Foi bom você chegar. Me ajuda a amarrar o mentiroso com uma... (Olha para o filho do enforcado.) A amarrar o mentiroso.
Mercador (com a mão atrás da orelha.) – Hein?
Cego – Eu não quero ver!
Mercador – O quê?
Pobre – Consegui! Peguei uma pomba!
Cego – Não me mostra.
Mercador – Como?
Pobre – Agora é só arranjar um espeto de ferro que eu faço um galeto.
Mercador – Hein?
Ferreiro (perdendo a paciência) – Me dêem uma corda.
(O filho do enforcado vai embora, furioso.)
Pobre (para o ferreiro) – Me arranja um espeto de ferro?
Ferreiro – Nesta casa só tem espeto de pau.
(Uma pedra fura o telhado de vidro, obviamente atirada pelo filho do enforcado, e pega na perna do mentiroso. O mentiroso sai mancando pela porta enquanto as duas pombas voam pelo buraco no telhado.)
Mentiroso (antes de sair) – Agora quero ver aquele guarda me pegar!
(Entra o último, de tapa-olho, pela porta de trás.)
Ferreiro – Como é que você entrou aqui?
Último – Arrombei a porta.
Ferreiro – Vou ter que arranjar uma tranca. De pau, claro.
Último – Vim avisar que já é verão. Vi não uma mas duas andorinhas voando aí fora.
Mercador – Hein?
Ferreiro – Não era andorinha, era pomba. E das baratas.
Pobre (para o último) – Ei, você aí de um olho só...
Cego (prostrando-se ao chão por engano na frente do mercador) – Meu rei.
Mercador – O quê?
Ferreiro – Chega! Chega! Todos para fora! A porta da rua é serventia da casa!
(Todos se precipitam para a porta, menos o cego, que vai de encontro à parede. Mas o último protesta.)
Último – Parem! Eu serei o primeiro.
(Todos saem com o último na frente. O cego vai atrás.)
Cego – Meu rei! Meu rei!"

corinthians e santos

"e o jogo pega fogo, luciano" (neto)
"goooooooooooooooooolll do santos!!!! Nilmar!!! Neymar!!! (goooooooolll etc.), NEYMAAAARRR" (lv)

*

"júlio cesar tá mal posicionado no gol!!!" (neto)

"defendeu! defendeu! defendeu!!! defendeu três vezes!!!! mas tinha que bater no peito mesmo, não é possível!!!" (luciano do valle)

"agora, (...) o júlio césar fez duas grandes defesas..." (neto)

*

“e o neto tá avisando, tava errada a posição da barreira” (lv)

“vai sair o boquita... então tá certo o neto, pra variar...” (neto)

*

(lv e ff falam ‘alan patrik’ em coro.. kkkk)

*

(um "louco" jogou uma bomba no campo... foi preso pela polícia, que agiu civiizadamente)

“será q a bomba do imbecil não causou o gol? será q a bomba não ajudou a fazer o gol, não?” (neto)

*

“todos os pontos são importantíssimas” (lv, sic)

na fala seguinte, retoma o assunto, constrangido

"alterapções" (lv, sic)

"o grêmio empatou com o flamengo, o flamengo empatou com o grêmio, isso aí é.. ah.. sei lá.. cada um fala do jeito que quer" (lv)

*

final de jogo tensooo, briga dentro das quatro linhas!

*

neto pede pra dormir na casa de renata fan: "é, ahn, mas vai que ela aceita, né..."

jn

o serra andou de metrô com o geraldo, por duas horas (duas horas a cada dois anos)

dilma fala de propostas para desenvolver o turismo e entrega cópia do seu projeto para todos os ‘presidenciáveis’: “incentivar a indústria do turismo (sic!) no Brasil” (pôrra! que resposta mixuruca para o q plínio falou no debate sobre o Nordeste...)

marina pede voto para os mais jovens, numa instituição para menores (o mercado em crescimento)

não tem o dia de plínio e isso é resolvido dando uns pontos a mais no ibope pros três...

grandes momentos da política brasileira


tom zé

"26/08/2010

DECLARANDO VOTO EM PLÍNIO DE ARRUDA SAMPAIO

Vi agora o comentário de Djenal à mensagem anterior. Ele tem o toque do humor leve, que melhora os assuntos. Como é o segundo comentário sobre minha declaração de voto em Plínio de Arruda Sampaio, cuja inteligência também se beneficia do humor, vou levar para o título desta nota o assunto dessa candidatura. Não fiz isso na postagem anterior e me ponho a pensar no que a profissão faz comigo. No título ficaram Scandurra, Arnaldo e os festivaleiros. Nem parecia que logo depois eu comentaria a eleição presidencial. Aqui o assunto ganha título de matéria. Até agora, e.mails e outras manifestações escritas têm sido muito dignas, ufa!

As emoções correm e comem soltas, atualmente. Emoções de Oriente Médio dentro do Brasil, dividindo, criando antagonismos. Por isso "ufa!" terminou o parágrafo anterior.

É muito bom ver Plínio falar, ouvir sua coragem, sua translúcida opinião de tanto destemor, suas preocupações com a gente do País, com pessoas, de modo geral. É uma qualidade importantíssima. Nem todos os políticos a têm. Neles, considerar pessoas antes de nelas pensar como eleitores é raro.

Uma pessoa como Plínio tem tempo de estrada que lhe permita não achar um porre uma campanha. Espero. Pois é um trabalho duro, envolve uma paciência que botaria Jó estressado. Já imaginaram quantas mãos apertar, haja banho de salmoura no fim do dia, quantas perguntas mal-intencionadas, quantos olhinhos brilhando e dizendo em neon, como um anúncio: "taí, que é que você vai me dar pelo apoio, cara?" e outros desrespeitos? Eleição é evento de massa, é assim que é conduzido o marketing eleitoral televisivo.

Neste mês saiu na revista Caros Amigos um texto de José Arbex sobre o governo atual - crítica contrária a ele. Embirro com as usuais críticas ao presidente e a quem ele apoia porque estão ensopadas de preconceito, são formuladas por parti pris. Têm ranços classistas. Esta crítica de Arbex estuda o assunto, as razões populares - falemos em razões quantitativas - que elegeram os presidentes recentes. Vale a pena olhar e começar a prestar atenção em contrários e apoiadores. As críticas de Plínio são também muito boas, elas propõem."

(http://tomze.blog.uol.com.br/arch2010-08-22_2010-08-28.html)

apoio a plinio presidente

* Afrânio Boppré, secretário geral do PSOL e ex-deputado estadual
* Alfredo Bosi, crítico e historiador de Literatura Brasileira e membro da Academia Brasileira de Letras
* Ariovaldo Umbelino – professor aposentado do Departamento de Geografia da USP
* Carlos Giannazi – deputado estadual pelo PSOL/SP
* Carlos Nelson Coutinho- fundador do PSOL e integrante da primeira direção nacional do Partido
* Chico Alencar, professor e Deputado Federal PSOL/RJ
* D. Luiz Flávio Cappio – bispo da diocese de Barra (BA)
* Dom Tomás Balduíno – bispo emérito de Goiás Velho, fundador da CPT
* Edson Carneiro “Índio” – Coordenação da INTERSINDICAL e da Comissão Nacional da nova Central
* Gilberto Maringoni – jornalista e historiador
* Guilherme Costa Delgado – doutor em economia pela UNICAMP e consultor da Comissão Brasileira de Justiça e Paz
* Heloísa Fernandes – socióloga e colaboradora da Escola Nacional Florestan Fernandes
* István Mészáros – filósofo húngaro e professor emérito da Universidade de Sussex (Inglaterra)
* João Alfredo Telles Melo, advogado, professor, ecossocialista e vereador pelo PSOL, em Fortaleza
* José Arbex Jr. – docente do curso de jornalismo da PUC-SP
* Leandro Konder – filósofo e escritor
* Marcelo Freixo, deputado estadual pelo PSOL/RJ
* Milton Temer – fundador do PSOL e integrante da direção da Fundação Lauro Campos
* Paulo Eduardo Gomes – presidente do PSOL de Niterói
* Paulo Gomes – professor do Instituto de Economia da Universidade Federal de Uberlândia
* Renatinho – vereador PSOL/Niterói (RJ)
* Renato Cinco – Sociólogo do Coletivo Marcha da Maconha RJ e da Nova Sociedade Libertadora
* Renato Roseno – advogado de direitos humanos
* Rodrigo Paixão – cientista político, presidente da executiva do PSOL Vinhedo
* Virgínia Fontes – professora da pós-graduação em História da UFF e colaboradora da ENFF-MST
(http://psolsp.org.br/presidenteepitacio/apoio-a-plinio-presidente/)

*

confira os depoimentos de apoio em: http://www.plinio50.com.br/apoiadores.html