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domingo, 17 de outubro de 2010

privatização do ensino superior

O Prouni e os muitos enganos

IVAN VALENTE e OTAVIANO HELENE

É sofrível a posição do Brasil quando analisamos o ensino superior: apenas 9% dos jovens de 18 a 24 anos chegam ao terceiro grau. Para reverter essa situação, foi aprovado em 2001 o PNE, que previa um prazo de dez anos para colocarmos 30% dos jovens no ensino superior, a sua maioria em vagas públicas. Entretanto o governo FHC não tinha como política ampliar as instituições públicas, e sim estimular a expansão do setor privado.

A expansão do ensino superior público de qualidade depende do aumento dos investimentos públicos. O PNE previa um gasto total com educação pública de 7% do PIB, tema vetado por FHC. No lugar de derrubar esse veto e aumentar os gastos públicos com educação, o governo Lula economiza para pagar juros de R$70 bilhões (superávit primário) e concluirá o segundo ano de governo sem executar o plano de expansão do ensino superior que constava do seu programa. É nesse quadro que o governo apresenta o Programa Universidade para Todos -Prouni-, criado por medida provisória. Com esse programa o governo pretende trocar isenções tributárias por vagas nas instituições de ensino superior (IES) privadas para estudantes carentes.

O Prouni tem apelo popular e parece combater a exclusão. Mas a proposta é, na verdade, um grave equívoco e fere pontos defendidos há décadas pelos educadores ligados ao PT. Além disso, fortalece ainda mais a já hegemônica presença do setor privado no ensino superior, dando posição de mando ao mercado educacional. A posição de que recursos públicos devem ser utilizados na educação pública é histórica do PT. Entretanto o que o Prouni faz é aumentar as isenções fiscais para IES privadas, que, com poucas exceções, não prestam contas de como as usam, remuneram de forma ilegal seus sócios, não têm transparência na concessão de bolsas e maquiam balanços.

Ao trilhar o caminho da expansão da oferta pelo setor privado, a proposta do governo estimula diversos enganos. Freqüentemente supõe-se que estudantes de instituições públicas têm renda familiar superior à de seus colegas nas IES privadas. Dados do IBGE e do Inep indicam que a realidade é exatamente oposta. A elitização do ensino em nosso país ocorre não por meio do vínculo institucional, mas pelo curso freqüentado, e em cada curso a renda média dos estudantes do setor privado é superior à dos estudantes do setor público.

Outro engano está relacionado ao custo de um estudante de graduação. Estudos feitos na USP e na UnB mostram que o custo de um estudante nessas instituições é equivalente ou inferior ao custo nas IES privadas, em um mesmo curso. Tenta-se a todo momento dizer o contrário, computando no custo/ aluno das públicas, despesas que vão além do ensino de graduação, como pesquisa, hospitais universitários, gastos previdenciários etc. Devemos ainda lembrar que as IES privadas oferecem seus cursos levando em conta apenas a existência de clientela, e não as necessidades das diferentes regiões do país e áreas do conhecimento. Mesmo eventuais ganhos pessoais por parte dos estudantes são comprometidos pela baixa qualidade dos cursos.

A existência de vagas ociosas no setor privado é outro logro. A maioria das vagas não preenchidas serve como reserva estratégica para as instituições privadas, não havendo recursos de infra-estrutura e professores esperando para atender aos estudantes.

É necessário registrar também que muitas das instituições públicas têm boas bibliotecas, alojamento, alimentação subsidiada e assistência médica, coisas que inexistem na grande maioria das IES privadas. Esses instrumentos de gratuidade ativa são importantes para garantir a permanência do estudante, especialmente o carente, aquele que o Prouni pretende atender. Devemos lembrar ainda que a evasão nas IES privadas é superior à nas universidades públicas, causada não só pela impossibilidade de pagamento das mensalidades, mas pela frustração com os cursos e impossibilidade de permanência.

Os benefícios fiscais dados às IES privadas retiram recursos preciosos do setor público. A renúncia tributária em favor de IES privadas alcançou, em 2003, cerca de R$ 870 milhões; somada à renúncia previdenciária, de R$ 462 milhões, aos débitos previdenciários, de R$ 184 milhões (maio de 2004), e aos gastos do sistema de financiamento estudantil (Fies), de cerca de R$ 900 milhões, chega-se à cifra de R$ 2,4 bilhões. Já no custeio das 54 universidades federais o governo aplicou R$ 695 milhões.

Para quem acha que as IES privadas podem quebrar ou reduzir a concessão de bolsas, vale lembrar que o faturamento do conjunto delas (com ou sem fins lucrativos) triplicou desde 1997 e alcançou R$ 10,5 bilhões em 2002.

Basta de enganos. É hora de recuperar o tempo perdido e fortalecer e expandir o ensino superior público: ele é melhor, custa menos e é mais qualificado.

(Folha de SP, 13/12/2004)

debate rede tv! / folha de sp

serra fala das escolas técnicas que ‘dilma’ não criou

Dilma diz que no governo FHC, ‘de que serra era ministro’, foi aprovada uma lei proibindo os estados alguma coisa das escolas técnicas etc

serra – ‘não respondeu minha questão’, ‘não é verdade que houve essa proibição no meu governo’, ‘fat não é ensino técnico’

Dilma perdeu a oportunidade de contrapor a interiorização das universidades públicas (lula) X escolas técnicas profissionalizante + prouni (FHC)

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serra mente descaradamente

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serra - "hoje não há no Brasil empresas para serem privatizadas"

serra - "hoje o brasil seria o país do orelhão" (serra, de novo, falando do desenvolvimento tecnológico mundial dos celulares fosse obra dele)

dilma - "queriam tirar o Brás, de Petrobrás, fazer a Petrobrax, tirar aquilo que é o mais brasileiro"

serra não responde e foge.. kkkk.. é vaiado e a sua claque intervém para aplaudir!! kkkkkk.. volta a mentir e nem comenta o 'Petrobrax'.... kkkkkk... "o dutra me elogiou uma vez!! o collor elogiou vocês!!"

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"dilma, a penetração da droga, do crack, no brasil, é fatal" "isso é um problema de fronteiras, com a Bolívia!""O Evo Morales é amigo do atual governo!" (kennedy alencar corta a voz dele, que passou do tempo)

serra lembra um avião sem piloto que ia ficar monitorando a fronteira do brasil, que o lula prometeu e não fez

a única 'droga' citada é o crack

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não veja



serra (propaganda gratuita na tv)

“Precisamos construir a paz no campo! E o mais importante: sem bonés do MST!!” (josé serra)

pra marina

"17/10/2010 - 13h58 (uol)

Marina oficializa neutralidade para segundo turno"

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é fácil distinguir direita e esquerda

família band

ronaldo (afastando-se) - "pô, vcs tão me encoxando..."
fernando fernandes dá risada

fernando fernandes - "e o tite, roberto?"
roberto carlos - "eu não falei com ele. o andrés sanches que é o presidente. por mim, pode vir o téte, o tite, o tóte..."

ff - "vc é muito educado, mas... o torcedor.."
rc - "o torcedor viu que a gente correu, que a gente tentou, isso que importa"

(no jogo, ronaldo marcou um gol anulado por impedimento, e perdeu outro, feito, de cabeça. mas ficou em campo os 97 minutos)

grandes momentos da filosofia (leibniz)

" [...] Respirei fundo, erguendo um pouco os ombros para engolir mais ar. Meu corpo inteiro nunca tinha me parecido tão novo. Comecei a descer o morro, o quartel ficando para trás. Bola de fogo suspensa, o sol caía no rio. Sacudi um pé de manacá, a chuva adocicada despencou na minha cabeça. Na primeira curva, o Chevrolet antigo parou a meu lado. Como um grande morcego cinza.
— Vai pra cidade?
Como se estivesse surpreso, espiei para dentro. Ele estava debruçado na janela, o sol iluminando o meio sorriso, fazendo brilhar o remendo dourado do canino esquerdo.
— Quer carona?
— Vou tomar o bonde logo ali na Azenha.
— Te deixo lá — disse. E abriu a porta do carro.
Entrei. O cigarro moveu-se de um lado para outro na boca, enquanto a mão engatava a primeira. Um vento entrando pela janela fazia meu cabelo voar. Ele segurou o cigarro, Continental sem filtro, eu tinha visto, entre o polegar e o indicador amarelados, cuspiu pela janela, depois me olhou.
— Ficou com medo de mim?
Não parecia mais um leão, nem general espartano. A voz macia, era um homem comum sentado na direção de seu carro. Tirei do bolso a caixinha de chicletes, abri devagar sem oferecer. Mastiguei. A camada de açúcar partiu-se, um sopro gelado abriu minha garganta. Engoli o vento para que ficasse ainda mais gelada.
— Não sei. — E quase acrescentei meu sargento. Sorri por dentro. — Bom, no começo fiquei um pouco. Depois vi que o senhor estava do meu lado.
— Senhor, não: Garcia, a bagualada toda me chama de Garcia. Luiz Garcia de Souza.
Sargento Garcia. — Simulou uma continência, tornou a cuspir, tirando antes o cigarro da boca.
— Quer dizer então que tu achou que eu estava do teu lado. — Eu quis dizer qualquer coisa, mas ele não deixou. O carro chegava no fim do morro. — É que logo vi que tu era diferente do resto. — Olhou para mim. Sem frio nem medo, me encolhi no banco. — Tenho que lidar com gente grossa o dia inteiro. Nem te conto. Aí quando aparece um moço mais fino, assim que nem tu, a gente logo vê. — Passou os dedos no bigode. — Então quer dizer que tu vai ser filósofo, é? Mas me conta, qual é a tua filosofia de vida?
— De vida? — Eu mordi o chiclete mais forte, mas o açúcar tinha ido embora. — Não sei, outro dia andei lendo um cara aí. Leibniz, aquele das mônadas, conhece?
— Das o quê?
— As mônadas. É um cara aí, ele dizia que tudo no universo são. Assim que nem janelas fechadas, como caixas. Mônadas, entende? Separadas umas das outras. — Ele franziu a testa, interessado.
Ou sem entender nada. Continuei: — Incomunicáveis, entende? Umas coisas assim meio sem ter nada a ver umas com as outras.
— Tudo?
— É, tudo, eu acho. As casas, as pessoas, cada uma delas. Os animais, as plantas, tudo. Cada um, uma mônada. Fechada.
Pisou no freio. Estendi as mãos para a frente.
— Mas tu acredita mesmo nisso?
— Eu acho quê.
— Pois pra te falar a verdade, eu aqui não entendo desses troços. Passo o dia inteiro naquele quartel, com aquela bagualada mais grossa que dedo destroncado. E com eles a gente tem é que tratar assim mesmo, no braço, trazer ali no cabresto, de rédea curta, senão te montam pelo cangote e a vida vira um inferno. Não tenho tempo pra perder pensando nessas coisas aí de universo
— A voz amaciou, depois tornou a endurecer. — Minha filosofia de vida é simples: pisa nos outros antes que te pisem. Não tem essas mônicas daí. Mas tu tem muita estrada pela frente, guri. Sabe que idade eu tenho? — Examinou meu rosto. Eu não disse nada. — Pois tenho trinta e três. Do teu tamanho andava por aí meio desnorteado, matando contrabandista na fronteira. O quartel é que me pôs nos eixos, senão tinha virado bandido. A vida me ensinou a ser um cara aberto, admito tudo. Só não agüento comunista. Mas graças a Deus a revolução já deu um jeito nesse putedo todo. Aprendi a me virar, seu filósofo. A me defender no braço e no grito. — Jogou fora o cigarro. A voz macia outra vez. — Mas contigo é diferente.
Mastiguei o chiclete com mais força. Agora não passava de uma borracha sem gosto. [...]"
(ABREU, Caio Fernando. Sargento Garcia. In: Morangos Mofados.)

josé arbex jr.

"SL - Por que no Brasil não há uma crítica da mídia? E, quando há, se atém ao trabalho do jornalista e não envolve as grandes corporações?

Arbex - Aqui no Brasil isso se repete de uma forma extremamente perigosa, porque com o poder da televisão sobre os telespectadores há uma confusão deliberada e ainda maior entre o que é show e o que é telenovela, entre o que é telenoticiário e o que é telentretenimento. Um exemplo é a novela O Clone, que tem por enredo o Islã. Quem assistir à novela vai ter a impressão de que conhece o Islã, de que conhece os costumes, de que sabe o que é o Islã e de como a mulher islâmica é tratada. Então eles transformaram a novela em telenoticiário sobre o Islã. Porque ninguém vai parar para pensar "o que eu estou vendo é ficção". Não; é "estou vendo o Islã". E por outro lado, o Jornal Nacional é transmitido como uma telenovela - a estrutura, a estética, a linguagem que ele utiliza. De videoclipe, diálogos rápidos, imagens panorâmicas; é bonito, agradável de se ver. Tem-se a ficção apresentada como telejornalismo e o jornalismo apresentado como teleficção. É uma total confusão de registros para 70, 80 milhões de telespectadores que vão assistir e deglutir aquilo sem fazer a crítica necessária. Com isso há aí um instrumento de manipulação.

SL - Como surgiu o livro [ARBEX JR., Showrnalismo: a notícia como espetáculo. SP: Casa Amarela, 2001], qual foi sua motivação?

Arbex - Foi a minha tese de doutorado em história na USP e surgiu como resultado de minhas observações diretas, do trabalho profissional de jornalista. E também de uma preocupação muito grande, quando houve a cobertura da Guerra do Golfo, em janeiro de 91, e a mídia mostrou pela televisão, ao vivo e em cores, uma guerra em que ninguém morreu. Uma guerra sem sangue, não teve mortos, não teve cadáver. E se dizia naquela época que os EUA tinham inventado as armas inteligentes. E na verdade sabe-se que mais de 130 mil pessoas morreram na guerra. Então a pergunta que eu fiz foi: como foi possível eles convencerem o mundo de que ninguém morreu numa guerra coberta ao vivo e em cores? Segunda pergunta: se eles convenceram o mundo disso, do que mais eles estão convencendo o mundo; quer dizer, o que mais eles estão mostrando pela televisão que nós não sabemos? E isso envolve uma terceira questão, que é a relação entre a mídia e o poder. Se eles têm o poder de mostrar o mundo do jeito que eles querem, então esse é um poder político, de manipulação das imagens, das informações. Dessas perguntas surgiu a tese.

SL - Já pelo título do livro, a primeira associação que se faz é com Guy Debord e a Sociedade do Espetáculo. O que Guy Debord signfica no seu trabalho?

Arbex - Guy Debord é fundamental. No livro A Sociedade do Espetáculo, de 67, ele justamente mostra como no capitalismo o espetáculo confere uma aparência, uma unidade para o mundo, que na verdade o mundo já não tem. Quer dizer, a vida das pessoas é fragmentária, é solitária, é isolada, é cheia de sofrimento e de angústia - mas, por intermédio da mídia, todos vivem um grande show, uma sensação de poder junto com os milionários e famosos, uma sensação de festa, como os grandes filmes de aventura, que na verdade não existe em seu cotidiano. Então a sociedade do espetáculo preenche esse vazio do cotidiano. Nesse sentido, o Guy Debord é um cara fundamental para pensar esse mundo. Só que evidentemente ele escreveu tudo isso em 67. De 67 para hoje houve uma radical diferença no sentido da evolução tecnológica. A cobertura da Guerra do Golfo, em 91, não teve nada a ver com a cobertura da Guerra do Vietnã, em 67.

SL - Em que sentido?

Arbex - No sentido de que a tecnologia conseguiu meios de digitalizar o mundo, ou seja, de transformar imagens do mundo em imagens digitalizadas que são apresentadas como se fossem imagens verdadeiras, como aconteceu na Guerra do Golfo. Eles mostraram imagens digitais dessa guerra como se fossem imagens do que realmente estava acontecendo. Isso no campo da linguagem específica do vídeo. No campo mais geral da tecnologia psicossocial houve um avanço notável na capacidade que eles têm de produzir clichês, pensamentos padrão e formas-padrão de percepção da realidade que condicionam o comportamento, orientam percepções e criam comoções de massa. Como o que está acontecendo agora no conflito do World Trade Center: desde o começo a CNN entrou na cobertura fazendo uma campanha pela guerra. Isso se vê nas vinhetas da CNN. A do primeiro dia foi "America Under Attack", como se a América estivesse permanentemente sob ataque. E a do segundo dia foi "America's New War". Quer dizer, é uma campanha pela guerra feita pela mídia. Então a mídia não informa, ela é parte desse processo, ela é um instrumento de guerra. E o Guy Debord detectou esse processo mas não viveu esse processo histórico que nós estamos vivendo hoje.

SL - Por que um trabalho como o seu só pode ser feito misturando essas várias linhas (o marxismo, a crítica da cultura e da mídia, o pós-modernismo e o conservadorismo de Martin Heidegger)?

Arbex - Para analisar esse processo de forma abrangente tem-se que levar em conta os aspectos tecnológicos, psicossociais, psicológicos, lingüísticos, materiais e a luta de classe. Daí eu ter usado uma série de referenciais. Veja no caso do Marx, por exemplo, ou dos críticos da cultura: embora a crítica da cultura marxista lance mão de conceitos freudianos em certos aspectos, não os acho suficientes.

SL - O que falta?

Arbex - Falta, por exemplo, uma maior compreensão de como a mídia usa a pulsão freudiana para hipnotizar, análise que Umberto Eco faz muito bem. Acho meio difícil fazer a crítica das imagens de guerra sem passar por Umberto Eco, que não é crítico da cultura no sentido da Escola de Frankfurt. Por outro lado, para analisar jornal e como a linguagem envolve as pessoas, acho necessários a hermenêutica e o estudo da linguagem feito pelos hermeneutas, como Heidegger. São recursos utilizados para analisar determinados aspectos da realidade que um código só não dá conta.

SL - E foi tranqüilo fazer isso dentro da universidade?

Arbex - Não. Na minha defesa de tese isso foi uma discussão muito interessante. Um dos examinadores da banca, o professor István Jancsó, disse uma frase que achei muito boa - e não por acaso eu convidei o István para fazer a orelha do livro. Ele disse: "A primeira vez que eu li a sua tese eu fiquei irritadíssimo, me causou muita irritação, porque a tese não foi escrita com o método próprio e consagrado de uma tese de história da Universidade de São Paulo." Ela não lança mão de métodos consagrados academicamente como uma pesquisa de história. Na verdade, eu faço uma leitura multidisciplinar do que está acontecendo, fazendo com que essa tese pudesse ser defendida na Letras ou na ECA, ou na História, nas Ciências Sociais. Porque tentei colocar em crise essa divisão de saberes dentro da universidade. Então ele falou: "A primeira vez que li fiquei irritado, mas aí me perguntei se minha irritação não decorria justamente de uma divisão à qual estou acostumado e que você não aceita. E aí li de novo e cheguei à seguinte conclusão: 99% dos trabalhos que eu leio estão formalmente perfeitos, mas são dissertações ocas. A sua não; não tem formalidade nenhuma, mas ali tem uma tese. E aí eu gostei." Achei que era justamente isso o que eu queria fazer: um trabalho que não ficasse restrito à divisão formal de saberes consagrada pela universidade."
(da internet, entrevista tirada do ar)

sábado à noite, na tv

globo: “chegamos à conclusão de que há náufragos nessa ilha!” (zorra total, mostrando insistentemente mulher de biquíni)
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na record, marcos mion é o responsável por mostrar o rego da melancia
a record cobriu a vitória de uma jornalista da record, que ganhou um concurso de beleza (e o apresentador fez que não sabia)
um cara fala dum “livro bem feminino”, “ela conheceu um xamã da indonésia”, “em bali, que ela conheceu ele”, faz um merchandising dum bestseller de livraria (a fazenda, record news)
sergio mallandro plastifica meia melancia, com a ajuda de alguém, que reclama: “ai, malandro, cê ta fudido na minha mão” (fala a que ajudou o sérgio malandro com a melancia, na record news)
a mulher melancia tá cortando carne crua, com um facão, e olha pro sergio malandro com o canto do olho
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rede tv!, na véspera do debate do segundo turno: luciana gimenez e um tiozinho rico
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na band, um filme quase caricato de tão marcadamente norte-americano, sobre a revolução cubana (!)
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sbt – alice dublado (o do gene wilder)
(Folha de SP, 15/10/10)