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quarta-feira, 17 de novembro de 2010

vinte de novembro




















Novembro Negro

Dia 18 de Novembro
Filme: Besouro, Nasce um Herói
19:00

Dia 20 de Novembro
Filme: Quilombo
15:00

Local: Casa da Cultura
Realização: CineClube Trianon
Apoio Cultural: Sec
. Cult. Arapiraca

(http://cineclubetriannon.blogspot.com/)

terça-feira, 16 de novembro de 2010

vinte de novembro

Política e Etnia:
Reflexões sobre a História da África e Quilombos em Alagoas
Apresentação:
Com a proposta de gerar reflexões sobre a data comemorativa do 20 de novembro, professores da UFAL envolvidos em projetos ligados a questões étnicas, organizaram três dias de debates no Pólo de Palmeira dos Índios. Geralmente o 20 de novembro, data em que se comemora a consciência negra, marcada pelos eventos ocorridos em Palmares no século XVII, não é muito bem compreendido em sua profundidade. Visando esclarecer melhor esta data simbólica, constituída a partir de uma resistência histórica, na semana que antecede o 20 de novembro, dias 16, 17 e 18 estaremos recebendo a visita para discussão dialógica de pesquisadores, professores e quilombolas.
Programação:
Dia 16 de novembro de 2010
- Etnias africanas e relação com o Brasil - 9h:00min
Msc. Clébio Correia - Vice-reitor da Universidade Estadual de Alagoas (UNEAL)
- Quilombos em Alagoas - 10h:30min
Prof. Zezito de Araújo - Professor de História da Universidade Federal de Alagoas (UFAL)
Dia 17 de novembro de 2010
- Vozes ativas: realidades das comunidades quilombolas - 9h:00min
José Preto e Nenem - Lideranças da Comunidade Guaxinim - Cacimbinhas/AL
- Considerações sobre o 20 de novembro - 10h:30min
Saulo Luders Fernandes e Gérson Alves da Silva Jr. - Professores de Psicologia da Universidade Federal de Alagoas (UFAL)
Dia 18 de novembro de 2010
- Reflexões a partir de algumas representações de negros e negras na literatura brasileira. 9h:00min
David Lopes da Silva - Professor da Universidade Federal de Alagoas (UFAL)

vinte de novembro

RUBEM ALVES

"Crioulinha..."

UMA DAS MEMÓRIAS felizes que tenho de minha infância me leva de volta à escola. Eu estava no terceiro ano primário. Era a aula de leitura. Não, não era aula em que líamos para a professora ouvir e corrigir. Ao contrário, era a professora que lia para nos deliciar. Foi assim que aprendi a amar os livros. Não aprendi com a gramática.
Dizem que os jovens não gostam de ler. Mas como poderiam amar a leitura se não houvesse alguém que lesse para eles? Aprende-se o prazer da leitura da mesma forma como se aprende o prazer da música: ouvindo. A leitura da professora era música para nós.
A professora lia e nós nos sentíamos magicamente transportados para um mundo maravilhoso, cheio de entidades encantadas. O silêncio era total. E era uma tristeza quando a professora fechava o livro. "O Saci", "Viagem ao Céu", "Caçadas de Pedrinho", "Reinações de Narizinho". Esses eram os nomes de algumas das músicas que ela interpretava. E o nome do compositor era Monteiro Lobato.
Mas agora as autoridades especializadas em descobrir as ideologias escondidas no vão das palavras descobriram que, por detrás das palavras inocentes, havia palavras que não podiam ser ditas. Monteiro Lobato ensina racismo. E apresentam como prova as coisas que ele dizia da negra Tia Anastácia...
A descoberta exigia providências. Era preciso proibir as palavras racistas. Monteiro Lobato não mais pode frequentar as escolas...
Assustei-me. Senti-me ameaçado. Fiquei com medo de que me descobrissem racista também. Tantas palavras proibidas eu já disse.
É preciso explicar. Naqueles tempos, tempos ainda com cheiro da escravidão, havia um costume... As famílias negras pobres com muitos filhos, sem recursos para sustentá-los, ofereciam às famílias abastadas, brancas, para serem criados e para trabalhar. Assim era a vida. Foi assim na minha casa. Veio morar conosco uma meninota de uns dez anos, a Astolfina, apelidada de Tofa. Escrevi sobre ela no meu livro de memórias "O Velho que Acordou Menino". Cuidou de mim, dos meus irmãos, e morou conosco até se casar. Acontece que, ao contar sobre ela, eu usei uma palavra que fazia parte daquele mundo: "crioulinha". Era assim que se falava porque essa era a palavra que fazia parte daquele mundo. Imaginem que, obediente à "linguagem politicamente correta", eu, hoje, tivesse escrito no meu livro "uma jovem de ascendência afro"... Não. Esse não era o mundo em que a Astolfina viveu.
As palavras são a carne do mundo. Não podem ser substituídas por outras, ainda que mais verdadeiras, ainda que sinônimas. É preciso dizê-las como foram ditas para que o mundo que foi fique vivo novamente. A história se faz com palavras que faziam parte da vida. Aí, então, se pode explicar, como nota de rodapé: "Era assim. Não é mais...".
Estou com medo de que as ditas autoridades descubram que usei a palavra racista "crioulinha" para me referir àquilo que, hoje, seria "uma jovem de ascendência afro".
Estou, assim, tomando minhas providências. Para que não coloquem meu livro no "Índex" vou apagar a palavra "crioulinha" do texto e, sempre que precisar me referir à Tofa, direi que ela era uma governanta suíça e ruiva, uniformizada de branco e touca, para evitar que fios de cabelo caíssem na comida... Assim, meu livro purificado do racismo poderá frequentar as escolas...

(Folha de SP, 16/11/2010)

domingo, 14 de novembro de 2010

freud

Criador do Garfield pede desculpas por tira satirizando celebração nacional

Da Redação*

O criador do famoso gato Garfield, Jim Davis, pediu nesta sexta-feira (12) desculpas por tira que saiu na última quinta-feira em diversos jornais ao redor do mundo, na qual uma aranha satirizava as celebrações nacionais. O motivo é que a tirinha foi publicada justamente no Dia dos Veteranos norte-americano, causando uma série de críticas de leitores.

  • Reprodução / gocomics.com

    Tirinha publicada no Dia dos Veteranos norte-americano

No quadrinho, uma aranha diz para o Garfield: "Se você me esmagar, eu ficarei famoso". A aranha continua: "Eles irão criar um dia anual de celebração em minha honra". No terceiro quadrinho uma "aranha professora" pergunta, diante da sala de aula: "Alguém aqui sabe por que nós celebramos o 'dia nacional da estupidez'"?.

A celebração do Dia dos Veteranos ocorre em 11 de novembro e marca o aniversário do armistício que pôs fim à Primeira Guerra Mundial (1914-1918). Trata-se de feriado nacional nos EUA.

Jim Davis disse em um comunicado endereçado aos "amigos, fãs e veteranos", publicado em sites de quadrinhos como o gocomics.com e o Garfield.com, que não tinha ideia que a tirinha seria publicada justamente no Dia dos Veteranos e que o desenho nada tem a ver com a celebração.

"[A tirinha]" foi escrita quase um ano atrás e não tinha ideia, quando escrevi, que ela viria a público hoje", disse Davis, que de acordo com mesma nota teve um irmão que serviu no Vietnã e um filho no Afeganistão e Iraque.

O criador do Garfield pediu que "por favor aceitem minhas desculpas por qualquer ofensa que Garfield possa ter criado hoje [quinta-feira, 11]. Foi não-intencional e lamentável".

*Com informações da Reuters.

(http://entretenimento.uol.com.br/ultnot/2010/11/12/criador-do-garfield-pede-desculpas-por-tira-satirizando-celebracao-nacional.jhtm)

sábado, 13 de novembro de 2010

cine-rock, 13-11

Hell Ride (Motos do Inferno)
Ufal - Arapiraca, 14:00












sexta-feira, 12 de novembro de 2010

uól

09/11/2010 - 19h03

Programa impede acesso de usuários bêbados às redes sociais

DA FRANCE PRESSE, EM WASHINGTON

Um grupo de segurança informática na internet criou uma nova ferramenta com a finalidade de impedir que usuários de redes sociais, como Facebook, Myspace ou Twitter, escrevam mensagens quando estiverem bêbados, evitando arrependimentos no dia seguinte.

Partindo do princípio "nada bom ocorre depois de uma da manhã", o programa da empresa Webroot, com sede no estado americano do Colorado (oeste), promete "por um fim ao pesadelo do dia seguinte, quando o usuário se arrepende do que escreveu durante a madrugada".

A ferramenta, chamada "teste de sobriedade para redes sociais", é gratuita para os usuários do navegador Firefox (veja aqui). Ela pede que os internautas se submetam a um exame de coordenação antes de acessar os sites de socialização favoritos.

Um dos testes exige que a pessoa mantenha o cursor do mouse no centro de um círculo em constante movimento e outro que se identifique corretamente uma série de luzes intermitentes.

Se o usuário falhar, não poderá entrar nos sites.

O Google propõe uma ferramenta similar aos usuários do Gmail, obrigando-os a resolver cinco problemas matemáticos simples em menos de um minuto para poder enviar um e-mail.

(http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=3312815904972918799)

macanudo


(Folha de SP, 12-11-10)

tiririca












(Folha de SP, 12/11/10)

vinte de novembro

Lobato e Twain

José Sarney

Embora já tenha esfriado o debate sobre a decisão do Conselho Nacional de Educação, que vê em "Caçadas de Pedrinho", de Monteiro Lobato, racismo, não quero deixar de opinar sobre o assunto.
Poucos no Brasil têm sido defensores da raça negra como eu. Acho, inclusive, ser a escravidão a maior mancha de nossa história. Desde que entrei na política apoiei Afonso Arinos, e fui o criador da Fundação Palmares, dedicada à promoção da raça negra. Fui o autor do primeiro projeto de cotas raciais.
O que acontece com Lobato lembra-me um caso clássico da educação americana: o combate a "As Aventuras de Huckleberry Finn", de Mark Twain. Desde que foi publicada, em 1884, essa continuação de "As Aventuras de Tom Sawyer" causou polêmica, foi considerada imprópria e retirada de currículos e bibliotecas.
A reação de Twain (Samuel Clemens, no civil) foi tratar o assunto com humor: "Expulsaram Huck de sua biblioteca como "lixo e só adequado às favelas". Isso vai vender com certeza umas 25 mil cópias". Mas a discussão continuou.
Muitas vezes, os que o combatem mais querem utilizar o negro para brilhar do que para defendê-lo.
Huck foi um extraordinário sucesso. De vendas e literário.
Hemingway declarou que "Huckleberry Finn é o livro de onde brota toda a moderna literatura americana", onde "nada foi escrito de tão bom".
Mas a polêmica continua até hoje. Tudo porque Twain inovou recriando a linguagem de cada personagem com as características da vida no Mississippi, inclusive incorporando o tratamento a um dos personagens centrais, o "nigger" Jim, escravo fugido.
No entanto, o livro é uma sátira terrível, onde Jim é o bom caráter, em meio a uma multidão de brancos que representam todos os defeitos da sociedade escravocrata.
Além de excluído de bibliotecas, o livro tem enfrentado todo tipo de censura -e sobrevivido como um dos livros mais lidos nas escolas americanas. Sobre a polêmica há toneladas de textos, mas creio que o definitivo seja o julgamento do juiz Stephen Reinhard: "Palavras podem machucar, particularmente epítetos racistas, mas um componente necessário de qualquer educação é aprender a pensar criticamente sobre ideias ofensivas. Sem essa habilidade, se pode fazer pouco para responder a elas".
Lobato está em boa companhia. A criação literária é um processo próprio, e tramas, personagens e cenários existem somente na imaginação do autor. Nem por isso deixam de refletir realidades e ser instrumento de mudanças na sociedade. "Caçadas de Pedrinho" iluminou a vida de milhões de brasileiros, despertando neles o sentido da convivência racial e da igualdade entre brancos e negros.

(Folha de SP, 12/11/2010)

vinte de novembro

Nada inocentes

Ruy Castro

"Fess Parker, o ator que interpretou o caçador Davy Crockett numa série produzida por Walt Disney para a TV americana nos anos 50, morreu em março último, e seus obituários ressaltaram o assombroso sucesso dos filmes: 40 milhões de telespectadores por semana, de 1954 a 1956, e um gigantesco merchandising em torno do personagem.
Durante anos, os garotos americanos obrigaram seus pais a comprar-lhes um chapéu de guaxinim, com rabicho e tudo, como o usado por Davy. Além dos mocassins, jaquetas de franjas e calças (tudo de couro), mochilas, rifles de brinquedo, machadinhas, quebra-cabeças, gibis, o disco com "The Ballad of Davy Crockett" e toda quinquilharia que se referisse ao herói.
Hoje, o herói já não o é tanto. Descobriu-se que Crockett, vivendo na floresta, não matava animais apenas para comer, mas esfolava-os -coatis, gambás, castores, alces, gamos e até ursos- às centenas, e vendia seus couros e peles para os intermediários que abasteciam os empórios. Vivia disso. E, de couro dos pés à cabeça, ele já era um comercial de si próprio.
Sem saber que incidia em pecado, a série também mostrava Crockett como matador de índios e feroz perseguidor dos mexicanos que ousavam conspurcar o solo dos EUA. Enfim, agora descobrimos que, aos olhos do politicamente correto, não podia haver personagem pior.
Até morrer, em 1966, Walt Disney (o Monteiro Lobato americano, só que ao cubo em matéria de negócios) nunca se preocupou com isso. Os meninos que idolatravam a série também não reparavam nas maldades de Davy. Da mesma forma, os milhões de brasileiros inocentes que lemos Lobato em criança nunca nos demos conta de que Tia Nastácia vivia sendo humilhada pelo autor. Tivemos de esperar 50 anos para que adultos de hoje, mais perspicazes e nada inocentes, finalmente nos informassem disso."

(Folha de SP, 12/11/2010)