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terça-feira, 15 de março de 2011
domingo, 13 de março de 2011
grandes momentos da filosofia (educação)
"É preciso que eu lhes ensine que nada tenho a ensinar-lhes."
E assim, pôs-se a ensinar o que ignorava, matérias em que sua incompetência era patente: a pintura e o piano.
(RANCIÈRE, Jacques. O Mestre Ignorante: cinco lições sobre a emancipação intelectual. Trad.: Lílian do Valle. 2a. ed. BH: Autêntica, 2007, p.33)
“Uma noite em 67” estreia a Mostra Cinema no Ceu em Penedo
O Projeto Cine Artpopular, em seu terceiro ano, retoma suas atividades em Penedo com a “Mostra Cinema no Ceu”. Os organizadores decidiram concentrar toda a programação do Projeto no recém-inaugurado Centro de Cultura e Extensão Universitária (Ceu), antigo “Sobrado dos Lessa”.
“Uma Noite em 67” estreia a Mostra, que será realizada durante todo o ano de 2011, nas noites de terças-feiras, sempre às 19h. O documentário “Uma noite em 67” inaugura a participação de Renato Terra e Ricardo Calil na direção de uma obra cinematográfica, apresentando um relato imperdível de um dos momentos ímpares da cultura no Brasil, um registro histórico fascinante. Concebido num formato tradicional, o filme explora cenas de arquivo e entrevistas com os artistas que protagonizaram aquele evento histórico. Uma noite rara na MPB, que reuniu um naipe inigualável de artistas sob a mira da ditadura militar.
Debate
Mantendo o formato que originou o Projeto Cine Artepopular, com exibição e debate, para a noite da próxima terça-feira, 15, está confirmada a presença do filosofo e professor David Lopes da Silva (Ufal/Arapiraca), que conduzirá o debate com os presentes acerca dos conceitos de Cultura e Liberdade.
Sinopse do filme
Final do III Festival da Música Popular Brasileira da TV Record, em 21 de outubro de 1967. Entre os candidatos que disputavam os principais prêmios figuravam Chico Buarque de Holanda, Caetano Veloso, Gilberto Gil com os Mutantes, Roberto Carlos, Edu Lobo e Sérgio Ricardo, protagonista da célebre quebra da viola no palco e lançado para a platéia, depois das vaias para “Beto Bom de Bola”. Com imagens de arquivo e apresentações de músicas como “Roda Viva”, “Alegria Alegria”, “Domingo no Parque” e “Ponteio”, o filme registra o momento do tropicalismo, os rachas artísticos e políticos na época da ditadura e a consagração de nomes que se tornaram ídolos até hoje no cenário musical brasileiro. (RC)
O Projeto Cine Artepopular
Aprovada pelo Proex Cultura 2008, com o objetivo de implantar sessões de exibição de cinema nacional em três municípios interioranos (Penedo, Arapiraca e Palmeira dos Índios), o projeto inaugurou suas atividades somente no segundo semestre de 2009, ampliando seu raio de atuação com o município de Viçosa e construindo uma frutífera parceria com o Cine Olho Vivo, projeto apoiado pela Pró-reitoria Estudantil (Proest).
As exibições continuaram em 2010, sempre acompanhadas de debates e realizadas em ambientes fechados ou ao ar livre, chegando a diferentes bairros e comunidades urbanas e rurais. “Para 2011, na cidade de Penedo, as exibições vão privilegiar o espaço do Ceu. Precisamos estimular o hábito da população local de frequentar esse espaço que se pretende o espaço da cultura da universidade”, explica Sérgio Onofre, coordenador do Projeto.
sábado, 12 de março de 2011
MAPA CONCEITUAL DO CRÍTON, DE PLATÃO
feito no instrumento de postar do word (acho que não sei usá-lo direito)
bbb
Depois de tocar 'maria sapatão' para diana (já que a transexual foi a primeira a ser eliminada), o programa continua construindo preconceitos no telespectador, agora relativos a quem esteja acima do chamado peso ideal.Durante o Carnaval, já haviam exibido uma animação que mostrava paula com o corpo e a música da globeleza padrão. Por outro lado, paula, para se desculpar perante o público, confessa a data de seu último 'relacionamento' na 'festa de Ano Novo', mas ela 'estava protegida'. Ainda explica que 'parou de tomar o anticoncepcional em novembro do ano passado'. (lsd)
quinta-feira, 10 de março de 2011
cine-rock, 11-03 (sessão zero)
ufal palmeirasexta
meio-dia
"Longe da estética da miséria – da qual o cinema nacional não consegue se desvencilhar e que tenta nos emocionar, advertindo com certa arrogância para “os problemas sociais” –, o filme de João Moreira Salles nos indica outros caminhos, também reais, para nosso cinema vernáculo. No meio deste ambiente injusto a que nos auto-condenamos a viver, existem belezas, sonhos e êxtases aos que têm o desejo de vivenciá-los sem culpas. Sim, há vidas paralelas que permitem nos humanizar e nos deixar suaves e serenos (e, de vez em quando no escuro de uma sala de cinema, sentimos que nossa alma vai por outros caminhos que não o das armas, da violência e dos escrachos..). Com uma linguagem inédita em nosso cinema, eficiente e aparentemente inatingível, Nelson Freire é um grande passo na construção da cinematografia nacional. Um filme de perfil internacional e que outros públicos (em especial, o europeu) verão com agrado.
Li por aí, numa reportagem, que o João Moreira Salles e o Nelson Freire – enquanto rodavam o filme – pensavam e comentavam que agradariam um público pagante cujo número não passaria de 5 mil espectadores (era um número otimista, para eles). A seu ver, estariam sentados na platéia os mais eruditos e os curtidores de música clássica – enfim, os eleitos. Felizmente os dois se enganaram. O filme ficou em cartaz mais de 6 meses contando com o prazer unânime do público que o assistia. O que é um dado importante, afinal, poucas vezes um filme consegue essa unanimidade de gosto sem ser piegas ou idiotamente básico. O sucesso de público de Nelson Freire nos alimenta a esperança de que um dia teremos outras opções de cinema nacional além do cinema-favela.
Sei que muitos jovens, por exemplo, assistiram e ouviram, graças ao filme, seu primeiro concerto. É que Nelson Freire tem o poder de induzir no público uma espécie de êxtase musical (tanto no conhecedor quanto no iniciante).
Num lento traveling, quase no inicio, a câmera lentamente vai descobrindo os personagens, Nelson Freire e Martha Argerich ensaiando a quatro mãos a Valsa para Piano de Rachmaninoff, na residência dele em Bruxelas. Nesta sala-de-estar onde cabem apertados dois pianos de cauda, se passa grande parte do filme.
O espectador se delicia com Argerich e Freire na intimidade doméstica: seja nos incansáveis ensaios ou em tarefas engraçadas como procurar uma partitura de Tchaikovsky perdida no meio da bagunça de papeis; ou quando Argerich limpa o teclado com 4711, a clássica água-de-colônia. Nesses detalhes, é que entra a sensibilidade de Moreira Salles, como revelador de pequenos atos do cotidiano que encantam ao espectador...
Vemos no filme um Nelson Freire de poucas palavras e grandes emoções, que aparecem quando fala de sua admiração pelos pianistas de jazz, em especial Errol Garner. Mais adiante, quando recorda Guiomar Novais ou na lembrança da sua professora de piano no Rio, que surge na vida do jovem prodígio com a mesma sorte de quem encontra a última esperança para continuar seus estudos no Brasil. Nise Obino é sua professora-fundamental, a mesma pela qual o jovem Nelson Freire sente uma grande paixão e admiração. Nise inicia a escultura do grande solista de Chopin e Schuman, que anos depois ele continuaria sendo na Europa...
Freire não é só de poucas palavras, é também de poucos amigos: solitário por opção, avesso à exibição fácil, relata noutro momento emocionante em sua eterna amizade com Martha Argerich (a pianista argentina de quem é contemporâneo). Num determinado instante do filme, a já consagrada Argerich diz para o Nelson Freire: “Vai, faz a primeira leitura do El bailecito do Guastavino; você lê melhor do que eu...”
Nas seqüências do solista em concerto podemos ver e sentir a identificação do público com a música e a interpretação em uma cumplicidade lúdica entre concertista e a platéia onde se pode “ouvir o silêncio”. É outro grande momento do filme, que João Moreira Salles consegue fixar brilhantemente: a relação do pianista com seu público quando executa o “seu bis”, a Melodia de Gluck-Sgambati, voando com todas notas – da Sala São Paulo para São Petersburgo, passando pelo Municipal do Rio e indo ao interior de uma catedral gótica na França. Públicos tão diferentes e tão iguais no êxtase ante a verdade musical!
Assim, Nelson Freire entra para a memória do cinema nacional com a certeza de indicar novos caminhos e uma nova linguagem, que nasce de dentro para fora e vai atingindo a todos de forma igualmente encantadora. O filme é um grande momento do cinema brasileiro nestes anos, onde se destaca a ética e a verdade." (Rodolfo Felipe Neder, no digestivocultural)


