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terça-feira, 21 de junho de 2011

grandes momentos da filosofia (freud)


S. Freud: Se a gente reconhece os motivos egoístas por trás da conduta humana, não tem o mínimo desejo de voltar à vida; movendo-se num círculo, seria ainda a mesma. Além disso, mesmo se o eterno retorno das coisas, para usar a expressão de Nietzsche, nos dotasse novamente do nosso invólucro carnal, para que serviria, sem memória? Não haveria elo entre passado e futuro. Pelo que me toca, estou perfeitamente satisfeito em saber que o eterno aborrecimento de viver finalmente passará. Nossa vida é necessariamente uma série de compromissos, uma luta interminável entre o ego e seu ambiente. O desejo de prolongar a vida excessivamente me parece absurdo.

George Sylvester Viereck: Bernard Shaw sustenta que vivemos muito pouco. Ele acha que o homem pode prolongar a vida se assim desejar, levando sua vontade a atuar sobre as forças da evolução. Ele crê que a humanidade pode reaver a longevidade dos patriarcas.

S. Freud: É possível que a morte em si não seja uma necessidade biológica. Talvez morramos porque desejamos morrer. Assim como amor e ódio por uma pessoa habitam em nosso peito ao mesmo tempo, assim também toda a vida conjuga o desejo de manter-se e o desejo da própria destruição. Do mesmo modo como um pequeno elástico esticado tende a assumir a forma original, assim também toda a matéria viva, consciente ou inconscientemente, busca readquirir a completa, a absoluta inércia da existência inorgânica. O impulso de vida e o impulso de morte habitam lado a lado dentro de nós. A Morte é a companheira do Amor. Juntos eles regem o mundo. Isto é o que diz o meu livro: Além do Princípio do Prazer. No começo, a psicanálise supôs que o Amor tinha toda a importância. Agora sabemos que a Morte é igualmente importante. Biologicamente, todo ser vivo, não importa quão intensamente a vida queime dentro dele, anseia pelo Nirvana, pela cessação da "febre chamada viver", anseia pelo seio de Abraão. O desejo pode ser encoberto por digressões. Não obstante, o objetivo derradeiro da vida é a sua própria extinção.
(trecho da entrevista "O Valor da Vida", concedida por Freud aos 70 anos. Tradução de Paulo Cesar Souza)

sábado, 18 de junho de 2011

eleições na ufal, em alagoas e no brasil (chaui)

"As eleições, articuladas à ideia de rotatividade dos governantes, perdem seu caráter simbólico (isto é, de revelação periódica da origem do poder, pois durante o período eleitoral o lugar do poder achando-se vazio revela-se como não pertencendo a ninguém mas espalhado pela sociedade soberana), para reduzir-se à rotina de substituição de governos (permanecendo o poder sempre ocupado). Enfim, a democracia liberal reforça a ideia de cidadania como direito à representação, de modo a fazer da democracia um fenômeno exclusivamente político, ocultando a possibilidade de encará-la como social e histórica. A ideia de representação recobre a de participação, reduzindo-a ao instante periódico do voto. A liberdade se reduz à de voz (opinião) e voto, e a igualdade, ao direito de ter a lei em seu favor e de possuir representantes." (CHAUI, Marilena. Ventos do Progresso: A Universidade Administrada. In: PRADO JR., Bento (et al.). Descaminhos da Educação Pós-68. SP: Brasiliense, 1980, p.55 (Cadernos de Debate 8))

domingo, 12 de junho de 2011

sobre o presídio ao lado da ufal (foucault)

“A prisão é a imagem da sociedade e a imagem invertida da sociedade, imagem transformada em ameaça. A prisão emite dois discursos. Ela diz: ‘Eis o que é a sociedade; vocês não podem me criticar na medida em que eu faço unicamente aquilo que lhes fazem diariamente na fábrica, na escola etc. Eu sou, pois, inocente; eu sou apenas a expressão de um consenso social’. É isso que se encontra na teoria da penalidade ou da criminologia; a prisão não é uma ruptura com o que se passa todos os dias. Mas ao mesmo tempo a prisão emite um outro discurso: ‘A melhor prova de que vocês não estão na prisão é que eu existo como instituição particular, separada das outras, destinada apenas àqueles que cometeram uma falta contra a lei’.
“Assim, a prisão ao mesmo tempo se inocenta de ser prisão pelo fato de se assemelhar a todo o resto, e inocenta todas as outras instituições de serem prisões, já que ela se apresenta como sendo válida unicamente para aqueles que cometeram uma falta. É justamente esta ambiguidade na posição da prisão que me parece explicar seu incrível sucesso, seu caráter quase evidente, a facilidade com que ela foi aceita, quando, desde o momento em que apareceu, desde o momento em que se desenvolveram em que se desenvolveram as grandes prisões penais, de 1817 a 1830, todo mundo conhecia tanto seu inconveniente quanto seu caráter funesto e perigoso.”
(FOUCAULT, Michel. A verdade e as formas jurídicas. RJ: NAU Editora, 2003 pp.123s.  Conferências de Michel Foucault na PUC-Rio em maio de 1975)

sábado, 11 de junho de 2011

cine-rock, 11/06

cine-rock, hoje, 11/06, 18:30, no cine triunfo: 'the acid house', roteiro de Irvine Welsh (de 'Trainspotting')

quinta-feira, 9 de junho de 2011

09/06/11

um dia muito triste hoje pra mim. e não só pela vitória de eurico.

segunda-feira, 6 de junho de 2011

fora téo!

Acusado de doar ovelhas para obter benefícios eleitorais durante a campanha para reeleição em 2010, o governador de Alagoas, Teotonio Vilela Filho (PSDB), afirmou que o programa “Alagoas Mais Ovinos” empresta, mas não doa animais. Segundo ele, famílias de produtores rurais foram beneficiadas com o projeto em 2010, sob condição de devolver um animal ao Estado. Ele falou que o Estado pretende ampliar o programa nos próximos meses. (mais)

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o engraçado é que ele acabou de ser reeleito...

itinerancia proinart

domingo, 5 de junho de 2011

cine-rock de terça, 07-11

palmeira - 11:00 da manhã
campus arapiraca - à tarde

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Nelson Freire (João Moreira Salles, 2003)

Nelson Freire: uma investigação sobre o recato e o pudor

O documentário de João Moreira Salles, Nelson Freire, acompanha a trajetória do virtuose mineiro, entre viagens e retratos cotidianos, ao longo de dois anos. Seu filme, estruturado em 31 episódios autônomos entre si, constitui um ensaio sobre “um dos segredos mais bem guardados do mundo do piano”. Sobre o pianista e sua relação com o instrumento, sobre a música e o silêncio como meios de comunicação.
O filme de Salles, assim como 32 curtas sobre Glenn Gould de Fraçois Girard, opta pela estrutura episódica, fragmentando a narrativa e possibilitando explorar com maior genuinidade o universo particular do personagem (não edificado no campo verbal). A abordagem, tendo em vista a timidez e o recato de Freire, permite captar pequenos momentos, registrar vislumbres e mesmo deflagrar a convivência estabelecida entre músico e realizador.
É notável, em vários aspectos, a influência do ser e do interagir de Freire na composição fílmica. A começar pela estratégia do diretor que, para captar a essência e não a alteridade do menino prodígio, instaurou uma relação de aproximação gradativa. A princípio distante, para que o aparato cinematográfico não apresentasse motivo de inibição e acanhamento por parte do pianista. Mais tarde, íntimo e conivente devido ao processo de estreitamento da câmera com o “objeto” de representação, sutilmente construindo um entendimento internalizado entre ambos e, numa leitura secundária, entre o espectador. No episódio intitulado “TV”, por exemplo, enquanto Nelson é entrevistado por um jornalista francês que pede para que ele repita determinada frase com “um sotaque mais brasileiro”, ele troca olhares cúmplices com a câmera do documentário. Olhares que comentam sua posição em relação ao pedido e, conseqüentemente, evidenciam uma vivência comum e anterior. Da mesma forma, é essencial capitular que a entrevista que percorre todo o filme apenas foi realizada no último dia de filmagem. (http://www.ufscar.br/rua/site/?p=53)
 

fada verde



sucessão reitoria ufal

Link para o vídeo do protesto dos alunos da UFAL - Maceió, sobre a falta de estrutura dos cursos da Área de Artes, na capital. Em Arapiraca, nem podemos ter essa discussão, já que a Universidade Federal de Alagoas desconsidera em absoluto o valor da Arte para nós, interioranos: http://gazetaweb.globo.com/v2/videos/video.php?c=10917.

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Reproduzo, também, trecho de e-mail enviado por mim ao grupo de professores, em apoio à candidatura da profa. Valéria e da Chapa 1 à sucessão da atual reitoria:

"Sofri vendo a tecla preta do piano, quebrada, e os estudantes de Música sem condições de trabalho. Sofri mais porque meu irmão é afinador de pianos (http://afinacaodepianos.blogspot.com/), realizando ótimo trabalho na região Sudeste, e meu pai é professor titular aposentado de Piano da UNICAMP (http://www.myspace.com/fernandolopespianista), além do restante de minha família estar ligado também às Artes e à Música, em particular.
Por que nós não podemos ter essa Cultura aqui no Nordeste?? Se não é a UFAL que pode possibilitá-la, quem poderá???"